Brasileiros usam apps de banco, mas ainda controlam gastos no papel


Os brasileiros já usam o celular para pagar contas, fazer transferências e acessar o banco, mas a organização financeira ainda permanece no papel para parte da população. Uma pesquisa da Lina Open X, realizada por meio da plataforma da MindMiners, mostra que 81% adotam o app bancário como principal canal, enquanto só 19% usam aplicativos para controlar gastos. Para entender esse contraste, o TechTudo conversou com o especialista em tecnologia financeira e diretor de Negócios da Lina Open X, Murilo Rabusky, e o especialista em tecnologia financeira e CRO da Azify, Gustavo Siuves. 🔎 Pesquisa mostra que 40% dos entregadores apostam para complementar renda 📱 Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursos Brasileiros usam apps de banco, mas ainda controlam gastos no papel Mariana Saguias/TechTudo 📝 O que fazer quando app do banco fica fora do ar? Veja no Fórum do TechTudo Índice Brasileiro usa app do banco, mas não para organizar a vida financeira O que ainda precisa mudar para o brasileiro abandonar o papel? Dicas financeiras personalizadas ainda não convencem Medo de golpe ainda trava a digitalização IA pode ajudar a transformar dados em decisões? Brasileiro usa app do banco, mas não para organizar a vida financeira A digitalização dos serviços bancários avançou rapidamente no Brasil. De acordo com a pesquisa “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, conduzida pela Lina Open X por meio da plataforma de consumer insights da MindMiners, 81% dos entrevistados utilizam o celular como principal canal de relacionamento com o banco. Apenas 21% ainda recorrem ao atendimento presencial. Dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025 reforçam essa mudança. Em 2024, 82% das transações bancárias no país ocorreram por canais digitais, e o mobile banking respondeu sozinho por 75% das operações. Foram 155 bilhões de transações pelo celular, volume 15% superior ao registrado no ano anterior. O hábito muda quando é preciso organizar o dinheiro. Apenas 19% utilizam aplicativos de controle financeiro, enquanto 32% ainda anotam despesas em papel ou caderno. Outros 16% não adotam nenhum método de controle. Além disso, somente 26% poupam mensalmente e 12,8% se consideram totalmente preparados para enfrentar imprevistos financeiros. Siuves relaciona essa diferença às características de cada atividade. Pagar ou transferir pelo celular resolve uma necessidade imediata, enquanto planejar as finanças exige disciplina, reflexão e análise dos hábitos de consumo. Segundo o especialista, papel e caneta também proporcionam uma sensação de controle e desaceleração que ainda não foi reproduzida pelos aplicativos. Já Rabusky chama atenção para outro dado da pesquisa: 72% dos participantes acreditam que a tecnologia pode melhorar sua relação com o dinheiro. “O consumidor enxerga o valor da tecnologia, mas o baixo engajamento com as ferramentas de controle dos próprios apps bancários faz com que quase metade da população volte ao papel, onde encontra uma sensação de controle total e sem poluição de dados”, afirma. 📱Como esconder aplicativo de banco no celular? Confira o passo a passo Segundo o especialista, papel e caneta também proporcionam uma sensação de controle e desaceleração que ainda não foi reproduzida pelos apps Laura Storino/TechTudo O que ainda precisa mudar para o brasileiro abandonar o papel? O levantamento ajuda a mostrar que a escolha entre aplicativo e caderno não depende apenas dos recursos disponíveis. Entre os entrevistados, 37,4% nunca receberam orientação sobre educação financeira. A falta de renda é apontada como obstáculo por 27,2%, enquanto 26% mencionam ausência de hábito ou disciplina. Os próprios aplicativos também podem dificultar a tarefa. Siuves cita como principais problemas a necessidade de categorizar gastos manualmente e a apresentação de gráficos complexos. Para o especialista, essas exigências transformam a gestão financeira em um trabalho burocrático e reduzem as chances de a ferramenta ser incorporada à rotina. “O foco deve mudar da contabilidade do passado para a orientação preditiva do futuro”, defende. Rabusky aponta ainda a fragmentação das informações entre diferentes instituições. Quando precisa reunir dados de várias contas ou corrigir categorizações, o próprio cliente acaba responsável por parte do trabalho de organização. Na avaliação do especialista, o Open Finance pode ajudar a reduzir esse esforço ao permitir a centralização automática das informações financeiras. 📱Fintechs no topo: veja os 20 melhores apps de banco segundo brasileiros Para especialista, os próprios apps dificultam a transição do papel para o digital Reprodução/Freepik Dicas financeiras personalizadas ainda não convencem Oferecer recomendações dentro do aplicativo também não garante que elas sejam seguidas. Segundo a pesquisa, 26% dos entrevistados raramente adotam dicas financeiras personalizadas oferecidas pelo próprio banco, enquanto 13% afirmam ignorá-las completamente. Siuves avalia que parte do problema está na forma como essas mensagens chegam ao cliente. Recomendações genéricas ou associadas à oferta de produtos podem ser percebidas mais como uma ação comercial do que como ajuda para organizar o orçamento. Para ele, a orientação precisa considerar o contexto individual e os objetivos de cada pessoa. Rabusky acrescenta que o momento em que a mensagem aparece também faz diferença. Em vez de apenas informar que determinado gasto aumentou, por exemplo, o aplicativo poderia mostrar as consequências daquela decisão para as contas do usuário. “A dica passa a ter valor real quando apresenta uma contrapartida financeira direta e palpável, como mostrar uma economia imediata na fatura ou simular o impacto de uma compra no orçamento futuro”, afirma. Medo de golpe ainda trava a digitalização Golpes e fraudes são a principal preocupação de 56,3% dos entrevistados em relação aos meios de pagamento digitais. Esse receio ganha importância quando o uso de uma ferramenta depende da autorização para acessar informações mantidas por outras instituições financeiras. Os números do Open Finance mostram essa diferença. Embora 76,8% já tenham ouvido falar do sistema, apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados. Ao mesmo tempo, 75,2% afirmam que integrariam diferentes contas em um único aplicativo. Entre eles, 49% condicionam a decisão à existência de garantias robustas de segurança. Siuves avalia que a percepção de risco reduz a disposição para conectar contas. Sem essa autorização, porém, ferramentas que dependem de informações de diferentes instituições têm menos dados disponíveis para oferecer uma visão consolidada das finanças. Rabusky considera a segurança da infraestrutura um requisito básico, mas defende que a comunicação também pesa na decisão. Para ele, bancos e fintechs precisam explicar em linguagem simples quais informações serão acessadas e com qual finalidade. “A confiança se consolida quando o usuário compreende a troca de valor, percebendo que o compartilhamento de informações gera uma contrapartida direta — como taxas de juros menores, limites ampliados ou melhores serviços —, mantendo o controle total sobre suas próprias escolhas”, afirma. Medo de golpe afasta consumidor do planejamento totalmente digital Getty Images IA pode ajudar a transformar dados em decisões? Os bancos também estão aumentando os recursos destinados à inteligência artificial. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, os investimentos do setor em tecnologia devem superar R$ 47,8 bilhões, alta de 13% em relação ao ano anterior. Os orçamentos para IA e IA generativa cresceram 61%. Rabusky acredita que a tecnologia pode ser usada para antecipar situações que hoje exigem acompanhamento do próprio cliente. Entre os exemplos citados pelo especialista estão identificar o risco de saldo negativo antes do vencimento de uma conta, renegociar tarifas automaticamente e rentabilizar valores que estão parados. Siuves também vê espaço para uma atuação mais ativa da tecnologia na organização das finanças. “A inteligência artificial tem o potencial de agir como um copiloto financeiro em tempo real, capaz de simular cenários e automatizar pequenas economias sem exigir esforço do usuário”, afirma. O especialista alerta, porém, para o risco de os bancos usarem IA apenas para aumentar o número de notificações e alertas padronizados. Se as recomendações permanecerem genéricas e desconectadas da situação de cada cliente, esses avisos podem acabar ignorados, assim como já ocorre com outras orientações financeiras. 📲Chave de segurança do Bradesco: tudo o que você precisa saber sobre o recurso Especialistas veem IA como aliada, mas com ressalvas Getty Images Com informações de Lina Open X Mais do TechTudo 🎥Veja também: 'Caí no golpe do Pix, e agora?' Veja o que fazer e como recuperar 'Caí no golpe do Pix, e agora?' Veja o que fazer e como recuperar

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